Quase todo mundo mente em algum momento para proteger a intimidade, evitar conflitos ou manter vínculos. A mitomania, chamada também pseudologia fantástica, descreve um patamar em que a fabricação de histórias se torna persistente, desproporcional e, por vezes, aparentemente compulsiva. Embora não seja hoje um diagnóstico independente nos grandes sistemas de classificação, estudos atuais a tratam como um fenômeno psicopatológico com potencial para sofrimento significativo, tanto para quem mente quanto para quem convive com a pessoa que mente.
"A mitomania parece ser melhor compreendida como um fenômeno psicopatológico que pode surgir em diferentes organizações de personalidade e contextos clínicos."
As narrativas mitômanas costumam combinar dados reais com elementos de fantasia. Não são necessariamente impossíveis; muitas vezes emergem a partir de acontecimentos verdadeiros que são progressivamente ornamentados, ampliados ou recontados de modo que pareçam extraordinários. Em muitos casos, o narrador ocupa uma posição atípica, como vítima de eventos extraordinários, protagonista de façanhas improváveis ou personagem central de crises dramáticas. Diante de evidências inequívocas, porém, a pessoa pode reconhecer que certos fatos narrados não ocorreram – o que diferencia esse fenômeno de um delírio.> E você, que tipo de conversa você quer manter com quem está ao seu redor: a conversa que exige provas o tempo todo ou a conversa que sustenta a presença, o cuidado e a verdade que se revela aos poucos?